27/07/07

rádio de proximidade


A paixão pelo Teatro
levou-me até ao Rádio Ribatejo.

Acabei por não fazer nessa estação teatro radiofónico, como sonhara, porque não existia esse tipo de programas, mas fui aprovado para locutor pelo saudoso fundador, construtor e director da estação, o Capitão Jaime Varela Santos, pioneiro da rádio em Portugal!

Tinha a preocupação de nos alertar para a responsabilidade de estar ao microfone:" Não julguem que são mais importantes do que os outros por falarem na rádio. Têm é mais responsabilidade !".


E ali me formei eu, o António Sala, o José Manuel Lourenço, o Luís Cruz, a Eva ...
Por lá passou também o Fialho Gouveia, a Maria Helena (primeira locutora oficial da RTP), o Fernando Balsinha e tantos mais. Era uma autêntica Escola de Rádio.

Havia tal respeito pelos ouvintes que qualquer jovem só "entrava em directo e acompanhado pelos mais experientes" após mais de um ano de treinos em emissões gravadas nos estúdios em Lisboa, na Av. D. Rodrigo da Cunha em Alvalade.

Numa das primeiras emissões directas nos estúdios do Rádio Ribatejo nas Portas do Sol em Santarém (numa cabina totalmente montada pelo Capitão Jaime Varela Santos, tal como o respectivo emissor de Onda Média) ao lado de Amélia da Piedade num programa de "discos pedidos" em consequência de um "nome estranho" tivemos um ataque de riso incontrolável que nos valeu severa reprimenda do Director, que ouvia sempre as emissões com atenção para "criticar", mas também - quando era o caso - para aplaudir!
De então até hoje passaram mais de 4 dezenas e meia de anos de rádio, teatro, espectáculos e televisão com muitas histórias ...
Aqui iremos contando algumas ...

O tal programa de "discos pedidos" do Rádio Ribatejo era um "líder de audiências" e, mais do que isso. numa época de dificeis acessibilidades e transportes, servia de meio de comunicação entre as famílias.

Nas cheias do Ribatejo, por exemplo, a rádio era a única companhia para os que ficavam isolados pela rápida subida das águas. Era uma "rádio de proximidade".

Um dos casos mais curiosos que recordo dessa época é o de dois jovens amigos que trocavam mensagens através do programa (ainda não havia SMSs, claro).
Por intermédio do programa, passaram da amizade ao namoro, noivaram e decidiram casar convidando-nos para a cerimónia nupcial.
A Amélia da Piedade e eu não aceitámos o convite porque o programa era em directo, mas os noivos e os seus convidados fizeram questão de nos visitarem nos estúdios logo que sairam da Igreja, por nos considerem também seus "padrinhos".

Ao fim da tarde ainda enviaram para a equipa de locução e técnica, bebidas e bolo de noiva. Deveras emocionante, podem crer.

A vida dá muitas voltas e perdemos o contacto, mas quero acreditar que (como nos contos de fadas) tenham continuado a viver felizes... para sempre!